Arquivos Mensais: Junho 2008

No calor do momento…
tão leve pode ser este o pensamento
e tão eterno no tempo
Aquilo do que lembrarás a seguir…

Após todo esse momento,
tão cheio de alento
A mornidão poderás assistir…
Não tão breve como o antigo momento…
Dele não fará tempo
para que se faça um monumento em sua memória

Após este…  e a seguir a cada momento
Poderemos ver o tempo,
Em que tudo dele parecerá desistir,
Alguns irão sentir… a ir…
Outros frios irão ficar

O que sei é que a cada especie desses momentos,
Tudo o que sobrará,
será restia do sentir
Adormercer tudo irá ficar,
outros, nada se não morrer… irão fazer

O tempo não para!
As pessoas sim param
Os ponteiros do relogio nao!
A folha do calendário poderá ser esquecida de ser mudada
Mas os dias, estes sim continuarão a passar…

 

Elton Machado

Vive, ferve, reinventa

Corre, alcança e respira…

Olha em frente!

Não pares, corre!

 

Corre!

Foge!

Não esperes…

 

Senta, respira, olha em frente!

Siga! Não desistas!

Porque sempre alcanças

 

Aguarda… não é sensato correr ao sol…

Nem esperar na chuva…

Nem gritar contra o vento…

 

Espera, mas não sente…

Aguarda, mas não durma…

Olhe… mas não cegue!

Procura, mas encontra!

 

Elton Machado

 

Voa vento…
Leva-me bem longe
Longe e com alento
Tanto longe
Quanto em qualquer outro momento

Leva vento…

Não insistas em ficar!
Foste feito para fazer voar,
fazer crescer mesmo a enrolar
Poderás servir para cortar …

Mas nesse momento
só serviras para fazer voar…

Leva vento, não temas o tempo
Porque ele há-de ficar
Tu porém, iras passar
Seguir, a esvoaçar

Lembra-te e traz-me de volta
Quando a lua teimar em deitar
E o Sol insistir em raiar
Traz me de volta de meu sono acordar

 

Elton Machado

Como não publiquei hoje nada de jeito mesmo ao fim… faço o remate para não passar em branco:

 

Qualquer um pode zangar-se, isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa, não é fácil.

Aristóteles

 

Podemos levar um cavalo até a água, podemos até força-lo a beber; mas não podemos dar-lhe sede.

Anónimo

Para que me serviria uma escada sem ser subir

De que me valeria alguém a segura-la

Se não houvesse em que subir

De que me valeria me a vontade

Se objectivos não o tivesse

 

Para estaria aqui a escrever

Se escada não quisesse ter

Que alguém a segurem, não precise

 

Talvez o problema não seja onde subir

Nem seja o saber descer

Porque também aprendi a saltar enquanto tive tempo

 

O problema será mesmo

Todos os que pensam que sobem para algum lado

Mesmo sem saber muito bem para onde

Ou para o quê?

 

E veja os corpos se acumulem

Pilhados uns sobre os outros ao cair

Mais alto do que a escada alcance

 

Talvez seja porque não use a minha escada

Como os outros

Ou que não use essa pilha de gente para chegar em qualquer lado

 

Prefira eu usar a minha escada com sabedoria

Saiba eu ouvir o conselho de que a segure

E que estes não saibam so aconselhar

Mas o mais difícil é apontar a escada para o sitio correcto

Quando era pequenino

Imaginava o mundo como uma aguarela

Afinal o mundo por vezes tem muito menos cores

 

Gostaria de ser míope para muitas coisas da vida

Outras vezes preferia mesmo ser cego

Talvez prefira mesmo ver bem com os dois olhos

Para voltar a ver o mundo com todas suas cores

De preferências vivas

Diferentes

Que se misturam

É que se transformem em arte… bonita de se apreciar

Nas mãos do artista certo…

 

 

 

Se o tempo fosse bom companheiro

Aquilo que hoje é verde continuaria verde

O sol que brilha não daria lugar a nuvens escuras

A lua que brilha não teria pressa em descansar

 

Talvez seja bom professor

Ensina o verde a crescer

Ensina que também precisamos da chuva

Ensina que nada é eterno e tudo tem o seu tempo

 

Eu disse tempo?

Talvez precise um pouco mais de tempo para pensar nisso…

 

Dediquei a minha vida a procurar de sonhos

Pensei que pudesse viver sem nunca acordar

Aprendi no entanto não ser preciso dormir para sonhar

O melhor mesmo do sonho

é poder lá voltar sempre que quiser (será possível voltar?)

 

Talvez a melhor qualidade do sonhador seja nunca acordar

(Mas será que alguma vez dormiu?)

As tantas, nunca teremos acordado…

Ou quiçá, o sonho fosse mais longo que a minha própria vida

 

O certo é que não existe nada tão certo

Que o sonho ainda é sonho para quem ainda sonha

 

Podemos não escolher os nossos sonhos

Mas podemos escolher a hora de acordar (ou talvez sonhar)

 

Este é meu ;)

Quem construiu Tebas, a das sete portas?

Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?

Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu?

Em que casas Da Lima Dourada moravam seus obreiros?

No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde Foram os seus pedreiros?

A grande Roma Está cheia de arcos de triunfo.
Quem os ergueu?

Sobre quem Triunfaram os Césares?

A tão cantada Bizâncio Só tinha palácios
Para os seus habitantes?

Até a legendária Atlântida Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias Sozinho?

César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?

Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha Chorou.
E ninguém mais?

Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?

Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Bertold Brecht

 
 

 E para inaugurar este novo espaço ai vai…

 
 

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis

Bertold Brecht